Arquivo mensal: julho 2014

O primeiro livro de Schuon, em espanhol, na internet

O primeiro livro de Frithjof Schuon, Da Unidade Transcendente das Religiões, está disponível online em espanhol.

O livro começa com uma importantíssima distinção entre conhecimento metafísico, filosofia e teologia. Esta distinção está na base da Sophia Perennis.

É uma obra genial, em qualquer um de seus capítulos. É obrigatória para os que querem entender realmente a verdade a respeito da natureza do conhecimento e do sentido e dos limites das formas religiosas.

O livro pode ser encontrado neste endereço. Ele pode ser visualizado online, mas o download é pago.

O mesmo livro existe em tradução portuguesa, feita por Mateus Azevedo e nós mesmos, em edição de 2011, e pode ser encontrado à venda na Estante Virtual. (Note-se que a edição mais antiga, de 1953, tem muitos problemas de tradução.)

Vers l’Essentiel

Vers l'EssentielA editora suíça Les Sept-Flèches lançou em dezembro de 2013 o primeiro livro com extratos de cartas de Frithjof Schuon. Chama-se Vers l’Essentiel: Lettres d’un Maître Espirituel  [Rumo ao Essential: Cartas de um Mestre Espiritual].

O volume tem 236 páginas e está dividido da seguinte forma, por critério do editor, Thierry Béguelin: cartas a correspondentes cristãos; cartas a correspondentes sufis; cartas a correspondentes hindus; cartas a correspondentes budistas; cartas a correspondentes peles-vermelhas; cartas a noviços; cartas a seu irmão; cartas a correspondentes diversos. As cartas vão de 1940 a 1995.

O livro é uma pérola, ou melhor, uma coleção de pérolas. Os conselhos espirituais ali dados são de grande valor e profundidade, assim como os ensinamentos doutrinais e as aplicações práticas dos princípios.

Damos aqui a tradução de duas delas:

Carta de 7 de fevereiro de 1980: a absurdez à nossa volta

Uma das coisas mais difíceis de suportar é a absurdez humana; aceitá-la a título de necessidade ontológica faz parte do Islã. Há pessoas que creem que é virtuoso não ver o mal e fingir que o que é negro é branco, o que é a própria negação da inteligência; na realidade, trata-se de discernir exatamente entre o bem e o mal ao mesmo tempo em que se se resigna, não ao mal enquanto tal, mas à existência metafisicamente inevitável do mal. Tudo isto é evidente, mas eu o escrevo porque o espetáculo do mal faz sofrer e porque já é um tanto de santidade saber combinar um discernimento implacável com uma serenidade inalterável; a qual não exclui, aliás, a santa cólera, quando for o caso.

Carta de 1991: a vida espiritual

Em suma, a vida é simples: estamos de pé diante de Deus desde o nascimento até a morte; o que realmente conta é ter consciência disso e tirar daí todas as consequências. A consciência do Sumo Bem é a maior das consolações, ela deveria sempre nos manter em equilíbrio. Resulta dela, em primeiro lugar, a qualidade de resignação, a aceitação constante da vontade de Deus; esta virtude é difícil na medida em que queremos forçar o mundo a ser algo diferente do que ele é, a ser lógico, por exemplo. O complemente da resignação é a confiança; Deus é bom, e tudo está em suas mãos. Há também a gratidão, pois todo homem tem razões para ser reconhecido para com Deus; é preciso que nos lembremos dos bens de que desfrutamos, e não que nos esqueçamos deles porque nos falta alguma coisa. Enfim, é preciso fazer alguma coisa na vida, pois o homem é um ser agente; e a melhor das ações é a que tem Deus por objeto: é a prece.

 

Um vídeo de Schuon

Este é um trecho de entrevista muito mais longa de Schuon em inglês, que está em grande parte disponível, em pequenos vídeos curtos, no Youtube. Em pouquíssimas mas profundas palavras, o grande filósofo dá uma síntese da perspectiva da Religio Perennis.

(Vídeo disponibilizado em canal do Youtube em nome de Jesper Sampaio)

Sobre quem foi e como viveu Frithjof Schuon

Publicamos hoje um texto diferente e muito importante: um relato de Catherine Schuon — que, como esposa, esteve ao lado de Frithjof Schuon por quase 50 anos — sobre quem realmente foi o grande porta-voz da Religio Perennis e como ele viveu. Um texto revelador.

Antes de mais nada, devo avisar ao leitor que, quando me refiro a Frithjof Schuon, sempre digo “o Cheikh”, pois nunca me dirigi a ele senão por este título; eu usava seu primeiro nome apenas na presença dos membros de minha família, e mesmo assim evitava fazê-lo, já que me parecia totalmente inadequado. Durante os cinquenta anos de nossa vida em comum, jamais deixei de sentir em sua presença uma admiração reverente e, na medida em que sua grandeza espiritual e moral me eram desvendadas através da leitura de seus livros e das qualidades que ele manifestava, uma veneração cada vez mais profunda.

É verdade que, na intimidade, eu costumava acrescentar à palavra Cheikh o sufixo afetuoso “-li”, usado no dialeto suíço-alemão; realmente, o Cheikh suscitava a ternura por sua inocência e por seu lado às vezes quase benevolente demais. Com uma pureza de coração desconcertante, ele acreditava no que lhe diziam e preferia ignorar o fato de que pessoas com aspirações espirituais podiam ser hipócritas ou mesmo mentirosas. A propósito da santa ingenuidade, ele sempre citava a história de Santo Tomás de Aquino, que foi chamado por um monge à janela para ver um boi voando; quando o monge caçoou do santo por ter acreditado nele, Santo Tomás replicou: “Prefiro acreditar que um boi voa a crer que um monge mente”. O Cheikh reagiria do mesmo modo.

Eu o encontrei pela primeira vez na primavera de 1947 (…)

Esperamos que o leitor aprecie a narrativa. Para lê-la, deve-se clicar aqui.

A tradução é de Iara Biderman Azevedo.