Arquivo mensal: setembro 2014

Três significados do termo “exoterismo”

O termo “exoterismo” designa três domínios diferentes, a saber: em primeiro, um sistema de símbolos e de meios; em segundo, uma via; e, em terceiro, uma mentalidade. A primeira categoria engloba os dogmas, os ritos, as prescrições legais, morais e outras, e a liturgia, no sentido mais vasto do termo; o segundo engloba as práticas religiosas gerais, as que se impõem a todos; e a terceira categoria comporta o psiquismo próprio a este ou aquele ambiente religioso, portanto todas as manifestações da sentimentalidade e da imaginação determinadas por determinada religião, determinada piedade, determinadas convenções sociais.

Em outros termos, importa distinguir no exoterismo os aspectos seguintes: o sistema formal que oferece símbolos e meios; a via exotérica, que se baseia exclusivamente nesse sistema; a mentalidade exoterista, que é formalista, voluntarista e individualista e que acrescenta às formas simples todo o tipo de sentimentalidades limitativas. Esses são três significações muito diferentes do termo “exoterismo”: segundo a primeira, a Lei religiosa é necessária e venerável, e ela se torna um elemento constitutivo do esoterismo; segundo a segunda significação, a Lei difere do esoterismo sem necessariamente excluir certos elementos deste; segundo a terceira significação, há antinomia entre o “exterior” e o “interior”, ou entre a “letra” e o “espírito”.

É da mais alta importância não confundir esses três planos; não perder de vista, particularmente, que o primeiro – a saber, o Dogma e a Lei – está disponível para o esoterismo sob o duplo aspecto da interpretação e da prática. Para determinar se um suporte espiritual é exotérico ou esotérico, a questão que se põe é a de saber, não somente de quais formas doutrinais e legais se trata, mas também “quem” as aceita e as pratica, e, por consequência, “como” elas são aceitas e praticadas. Só são exotéricos, no Dogma e na Lei, os aspectos que em sua literalidade são limitativos, mas não os aspectos de puro simbolismo e, portanto, de universalidade.

(Approches du Phénomène Religieux, Le Courrier du Livre, Paris, 1984, pp. 24 e 25.)