Traduções de Schuon

Um leitor entrou em contato para saber se há intenção de traduzir o livro Le Jeu des Masques (O Jogo das Máscaras), de Schuon. Perguntou também se há um plano para a tradução para o português do que falta da obra schuoniana. Aproveito a ocasião para fazer uma nota sobre este tema, de modo que a resposta siga para todos os leitores. Não há um plano. Até onde sei, há dois tradutores trabalhando nos livros de Schuon: Mateus Soares de Azevedo e eu próprio. Nós dois unimos forças, no passado, para traduzir alguns livros, mas agora estamos trabalhando separadamente, embora sempre em contato. Sei que Mateus Azevedo já tem alguns trabalhos prontos. De minha parte, tenho terminadas as traduções de Resumo de Metafísica Integral e de As Pérolas do Peregrino. Aguarda revisão a tradução de Em Busca da Religião Perene (Sur les Traces de la Religion Perenne). E, no momento, estou traduzindo, precisamente, O Jogo das Máscaras. A editora Sapientia, criada apenas para efetuar tais publicações, teve de ser fechada. Não havia condições para levar adiante um projeto que toma tempo, consome recursos e não consegue distribuir bem os livros. Ficará para outras editoras a tarefa de publicar Schuon. Ao menos, pudemos publicar três livros de nosso autor (A Transfiguração do Homem, Forma e Substância nas Religiões e Raízes da Condição Humana) e um de William Stoddart (Lembrar-se num Mundo de Esquecimento). Todos estão disponíveis na Estante Virtual (mas as cópias de A Transfiguração do Homem estão acabando). Paralelamente, tenho a intenção de publicar ao menos um livro de Schuon em formato digital. Trata-se do Em Busca da Religião Perene, e para isso já temos autorização dos detentores dos direitos. Estou estudando o alemão, há muitos anos, ainda que de forma não muito regular, também com a intenção de, no futuro (talvez no futuro próximo), traduzir algo também desta língua. Os poemas alemães de Schuon têm conselhos para todos e para todas as circunstâncias, bem como comentários sobre praticamente tudo. Eles são realmente incríveis, e lê-los no original é muito, muito precioso. Mas a tradução de poemas é coisa quase impossível em verso, e se faz com muita perda se apenas literal. Portanto, acho que os leitores brasileiros e portugueses deveriam lê-los, se quiserem lê-los, em inglês, francês ou espanhol. Há as cartas de Schuon, também riquíssimas em conselhos espirituais e práticos, conselhos que falam ao fundo do coração, e muitas delas foram lavradas originalmente em alemão; quem sabe será o caso de traduzir algumas dessas, um dia. Por fim, há muitos textos de Titus Burckhardt que não foram vertidos por ele próprio para o francês, e que seria o caso, se possível, de traduzir do alemão. A melhor coleção é a feita por William Stoddart, em inglês, chamada Espelho do Intelecto (Mirror of the Intellect). Parte desses ensaios foi traduzida do francês para o espanhol e publicada pela editora Taurus no volume Ciencia Moderna y Sabiduría Tradicional. No entanto, uma tradução do alemão é tarefa exigente, que demanda esforço e tempo. Será que vale a pena? É uma pergunta que já me fiz. Depois de aprender o alemão, passei a valorizar ainda mais o esforço de William Stoddart para fazer as traduções que fez. Burckhardt também tem outros livros maravilhosos escritos em alemão, como Fez, Cidade do Islã; Chartres e o Nascimento da Catedral; Siena, Cidade da Virgem e A Cultura Moura na Espanha. Esses livros podem ser encontrado em inglês, francês e em espanhol. Os dois primeiros, em inglês, foram traduzidos por William Stoddart, com a alta qualidade de sempre. O quarto teve uma tradução para o inglês complicada. Creio que todos podem ser lidos em espanhol e em francês. É claro, não seria ruim ter uma tradução direta do alemão para o português, mesmo porque há entre o alemão e nossa língua um traço comum que falta ao inglês, que são as sentenças longas, com orações intercaladas. Traduzir da tradução inglesa (que é uma referência por ter sido feita por Stoddart, que não só tinha contato com o autor como é uma autoridade no assunto) implica na perda dessa característica, tão bonita, da língua germânica. Mas será que o número de leitores compensaria o esforço? Cite-se, de qualquer forma, também, que um dos grande livros de Burckhardt é Introduction aux Doctrines Esotériques de L’Islam, traduzido em inglês como Introduction to Sufi Doctrine e em espanhol como Esoterismo Islámico. É um livro eminentemente intelectual, uma pequena joia, realmente. Burckhardt é também autor, entre outros, do grande Princípios e Métodos da Arte Sacra, que tem tradução portuguesa publicada no Brasil, mas não conheço essa tradução portuguesa para comentá-la. Isto o que tenho a dizer, no momento, sobre as traduções.

(Alberto Queiroz)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s