Arquivo mensal: março 2015

“Nenhuma Iniciativa sem a Verdade”

Publicamos hoje um novo ensaio de Frithjof Schuon traduzido para o português. Trata-se de “Nenhuma Iniciativa sem a Verdade”, do livro Le Jeu des Masques (O Jogo das Máscaras), de 1992.

Ele começa assim:

“No começo deste século, praticamente ninguém sabia que o mundo está doente – autores como René Guénon e Ananda Coomaraswamy pregavam no deserto –, ao passo que hoje em dia quase todos o sabem; mas estamos longe de todos conhecerem as raízes do mal e poderem discernir os remédios. Em nossos dias, ouvimos frequentemente que, para combater o materialismo, a tecnocracia e a pseudo-espiritualidade o que se impõe é uma nova ideologia, capaz de resistir a todas as seduções e a todos os ataques e de galvanizar os de boa-vontade; ora, a necessidade de uma ideologia, ou o desejo de opor uma ideologia a outra, já é uma admissão de fraqueza, e toda iniciativa que resulte deste preconceito é falsa e fadada ao fracasso.”

O texto pode ser lido clicando-se aqui.

Para quem preferir, o arquivo PDF, para impressão, pode ser descarregado clicando-se neste enlace.

“A beleza nos aproxima de Deus”

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“Estando compreendidos na mâyâ terrestre, devemos manter o equilíbrio entre as perturbações temporais e os valores eternos; mas devemos, tanto quanto, manter o equilíbrio entre as belezas deste mundo e as do outro: entre as projeções terrestres e os arquétipos celestes. Ou entre a analogia ou a semelhança e a abstração ou a incomparabilidade; a analogia referindo-se à imanência, e a abstração, à transcendência.

“O senso da beleza actualizado pela percepção visual ou auditiva do belo, ou pela manifestação corporal quer estática, quer dinâmica da beleza, equivale a uma ‘lembrança de Deus’, se ele se encontra em equilíbrio com a ‘lembrança de Deus’ propriamente dita, a qual, ao contrário, exige a extinção do perceptível. À percepção sensível do belo deve, portanto, responder o retirar-se em direção à fonte suprassensível da beleza; a percepção da teofania sensível exige a interiorização unitiva.

“Para uns, só o esquecimento do belo – da ‘carne’, segundo eles – nos aproxima de Deus, o que é, evidentemente, um ponto de vista válido sob certo aspecto operativo; segundo outros – e esta perspectiva é mais profunda –, a beleza sensível nos aproxima, também ela, e mesmo a priori, de Deus, sob a dupla condição de uma contemplatividade que pressinta os arquétipos através das manifestações sensíveis e de uma atividade espiritual interiorizante que elimine as sensações em vista da percepção intelectiva e unitiva da Essência.”

(Frithjof Schuon, O Jogo das Máscaras, capítulo “Em face da contingência”. A pintura aqui incluída é de autoria de Schuon.)