Arquivo mensal: junho 2016

“O que dizemos”

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“Nós dizemos que há uma Realidade absoluta, transcendente, não perceptível pelos sentidos, além do espaço e do tempo; mas cognoscível pelo Intelecto puro, pelo qual ela se torna presente; uma Realidade que, sem sofrer jamais a menor mudança, dado que ela é incondicional, dá lugar — em razão de sua própria Infinitude — a uma dimensão de contingência ou de relatividade a fim de poder realizar o mistério de sua irradiação. Pois ‘é da natureza do Bem querer se comunicar’: ou seja, Deus quer ser conhecido não somente em si mesmo, mas também ‘desde fora’ e a partir de ‘outro que não ele’; é a própria substância da Onipossibilidade divina.

“É isso o que dizemos, ou lembramos, a priori. Nós o dizemos não somente porque nisso acreditemos, mas porque o sabemos, e nós o sabemos porque nós o somos. Nós o somos em nosso Intelecto transpessoal, o qual veicula intrinsecamente a Presença imanente do Real absoluto, e sem o qual não seríamos homens.”

(Frithjof Schuon, texto inédito)

Derrubar as religiões desde dentro

“…Antigamente, o príncipe das trevas combatia as religiões sobretudo desde fora, fazendo-se abstração da natureza pecadora dos homens; em nossa época, ele acrescenta a essa luta um estratagema novo, ao menos quanto à ênfase, o qual consiste em se apoderar das religiões desde dentro, e ele em grande parte já o conseguiu, tanto nos mundos do Judaísmo e do Cristianismo quanto no do Islã. Isso nem lhe é difícil — o uso de artimanhas seria quase um luxo inútil —, dada a prodigiosa falta de discernimento que caracteriza a humanidade de nossa época; uma humanidade que tende cada vez mais a substituir a inteligência pela psicologia e o objetivo pelo subjetivo, e mesmo a verdade por ‘nosso tempo’.”

Frithjof Schuon, Christianisme/Islam, Visions d’Oecuménisme ésotérique, Arché-Milano, 1981, p.78. Note-se que estas linhas foram escritas há mais de 35 anos.