Arquivo mensal: abril 2018

Por que há várias Revelações?

Dado que só há uma Verdade, não se deveria concluir que só há uma única Revelação, uma única Tradição possível? A esta questão respondemos em primeiro lugar que Verdade e Revelação não são termos absolutamente equivalentes, pois a Verdade se situa além das formas e a Revelação, ou a Tradição que dela deriva, é de ordem formal, e isto por definição; ora, quem diz forma, diz diversidade, portanto pluralidade; a razão de ser e a natureza da forma são a expressão, a limitação, a diferenciação. O que entra na forma, entra também no número, portanto na repetição e na diversidade; o princípio formal — inspirado pela infinidade da Possibilidade divina — confere a essa repetição a diversidade. Continuar lendo

O amor, a mulher, a música

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Fundamentalmente, todo amor é uma busca da Essência ou do Paraíso perdido; a melancolia doce ou potente que intervém frequentemente no erotismo poético ou musical manifesta essa nostalgia de um Paraíso longínquo e sem dúvida também da evanescência dos sonhos terrestres, cuja doçura, precisamente, é a de um Paraíso que  não mais percebemos, ou que ainda não percebemos. Os violinos ciganos evocam não somente os altos e baixos de um amor demasiado humano, eles cantam também, em seus acentos mais profundos e mais pungentes, a sede desse vinho celeste que é a essência da Beleza; toda música erótica reencontra, na medida de sua autenticidade e de sua nobreza, os sons ao mesmo tempo encantatórios e liberadores da flauta de Krishna. (*) Continuar lendo