Arquivo mensal: maio 2021

A Porta aberta

Torii

Deus abriu uma porta no meio da criação, e esta porta aberta do mundo em direção a Deus é o homem; esta abertura é o convite de Deus para olharmos em direção a Ele, para tendermos a Ele, para perseverarmos junto a Ele e para retornarmos a Ele. E isto nos permite entender por que esta porta se fecha na morte quando foi desprezada durante a vida; pois ser homem não significa nenhuma outra coisa senão olhar para fora e atravessar a porta. Descrença e paganismo são tudo quanto dê as costas à porta aberta; em seu umbral, a luz e as trevas se separam.

A noção de inferno torna-se perfeitamente clara quando pensamos o quão insensato é — e o quanto é um desperdício e um suicídio — deslizar através do estado humano sem ser verdadeiramente homem, isto é, passar ao largo de Deus, e por consequência passar ao largo de nossa própria alma, como se tivéssemos direito às faculdades humanas independentemente do retorno a Deus e como se o milagre do estado humano tivesse uma razão suficiente independentemente do fim que está prefigurado no próprio homem; ou ainda: como se Deus não tivesse nenhum motivo ao dar-nos uma inteligência que discerne e uma vontade que escolhe.

Dado que esta porta é um centro — e ela tem de sê-lo, visto que leva a Deus —, ela corresponde a uma possibilidade rara e preciosa, que é única para a sua ambiência. E isto explica por que há uma danação; pois aquele que se recusou a passar pela porta não poderá nunca mais transpô-la. Daí a representação do pós-vida como uma alternativa implacável: para quem olha da porta — isto é, do estado humano —, não há escolha senão entre o interior e o exterior.

O que para o homem é tudo, é que a inteligência se torne de fato, graças ao conteúdo que lhe corresponde, aquilo que ela é em princípio, e, similarmente, que a vontade se torne realmente livre graças ao objeto que lhe corresponde. Em outros termos: a inteligência só é verdadeiramente inteligência na medida em que ela discerne entre o Real e o ilusório, e a vontade só é verdadeiramente livre na medida em que se esforça pelo Real.

Texto de Frithjof Schuon até onde sabemos ainda inédito no original francês, mas publicado em alemão em Perlen des Pilgers, Benziger Verlag, Dusseldorf e Zurique, 2000, pp. 68-69. #frithjofschuon #sophiaperennis

In questo istante possediamo l’intera nostra vita

05_ernio

Nella dimensone temporale che s’estende dinanzi a noi, non vi sono che tre certezze: la morte, il Giudizio e la Vita eterna. Non abbiamo alcun potere sul passato e ignoriamo il futuro; non abbiamo, per il futuro, che queste tre certezze, ma ne possediamo una quarta in questo stesso momento, ed essa è tutto: è la nostra attualità, la nostra libertà attuale di scegliere Dio e di scegliere così tutto il nostro destino. In questo istante, in questo presente, possediamo l’intera nostra vita, l’intera nostra esistenza: tutto è buono se questo istante è buono, e se sappiamo fissare la nostra vita in tale istante benedetto; il segreto della fedeltà spirituale sta nel dimorare in tale istante, nel rinnovarlo e nel perpetuarlo con la preghiera, nel trattenerlo col ritmo spirituale, nel collocarvi tutto il tempo che si riversa su di noi e che rischia de portarci lontano da questo “momento divino”. La vocazione del religioso è la preguiera perpetua, non perché la vita sia lunga, ma perché non è che un momento; la perpetuità – o il ritmo – dell’orazione prova che la vita è solo un istante sempre presente, come la fissazione spaziale in un luogo consacrato prova che il mondo è soltanto un punto, un punto però che, appartenendo a Dio, è dappertutto, e non esclude alcuna felicità.

Frithjof Schuon, Sguardi sui Mondi Antichi, Edizioni Mediterranee, Roma, 1996, pp.128,129. #frithjofschuon #sophiaperennis

A humanidade de hoje não tem discernimento espiritual

São Miguel Arcanjo

“Antigamente, o príncipe das trevas combatia as religiões sobretudo desde fora, fazendo-se abstração da natureza pecadora dos homens; em nossa época, ele acrescenta a essa luta um estratagema novo, ao menos quanto à acentuação, o qual consiste em apoderar-se das religiões desde dentro; e ele já conseguiu isso em grande parte, tanto no mundo do Judaísmo e do Cristianismo quanto no do Islã. Isso nem mesmo lhe é difícil — usar do engodo seria quase um luxo inútil —, dada a prodigiosa falta de discernimento que caracteriza a humanidade de nossa época; uma humanidade que tende cada vez mais a substituir a inteligência pela psicologia e o objetivo pelo subjetivo, e até mesmo a verdade por ‘nosso tempo’.”

Frithjof Schuon, Christianisme/Islam – Vision d’Oecuménisme ésoterique, Archè, Milano, 1981, p. 78. #frithjofschuon #sophiaperennis