Os filósofos gregos, a necessidade do exoterismo

“Você se pergunta como homens como Platão, Sócrates, Pitágoras e Plotino puderam atingir seus graus, apesar de lhe parecer que não tivessem esse exoterismo cuja necessidade eu sublinho. Em primeiro lugar, não é verdade que eles fossem desprovidos de exoterismo. Eles viviam num marco tradicional que, por mais degenerado que possamos supor que fosse, nem por isso deixava de ter um arcabouço exotérico, portanto ‘religioso’ (ritos, cerimônias, crenças, morais); além disso, gênios espirituais da envergadura deles estavam sem dúvida em condições de ressuscitar por si mesmos a pureza original dessas formas exotéricas; enfim, se se quer admitir que para um Platão, por exemplo, não se pode nem mesmo falar de exoterismo degenerado (mas não é como vejo), é preciso não esquecer que a necessidade da ambiência exotérica não é uma regra sem exceção; ora, trata-se, nesses casos, de homens excepcionais, que se pode ligar ao mesmo tempo à categoria dos afrâds (os solitários não submetidos ao Polo ou Legislador de sua época) e à dos profetas menores, no sentido de que deixaram sua marca espiritual em toda uma civilização. Seja como for, quero lhe lembrar que todos esses homens eram não somente filósofos, mas também ‘crentes’, ‘praticantes’, aspecto que os historiadores modernos se obstinam a negligenciar.”

Traduzido de: Vers l’Essentiel, Lettres d’un Maître Spirituel, de Frithjof Schuon, compiladas por Thierry Béguelin, Editions Les Sept Flèches, Lausanne, Suíça, 2013, página 135.

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