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O santuário primordial é a natureza virgem

Eu já disse algumas vezes o seguinte: quando na Fâtihah* peço ser conduzido pelo caminho reto, não o faço por querer rezar da maneira islâmica, mas sim para dizer a Deus o que eu sinceramente quero e o que todo ser humano deve querer, a saber: “Guia-nos na via reta.”

Alguém certa vez me disse que, quando entrava numa mesquita, sentia-se constrangido pela forma religiosa; isso, evidentemente, não faz sentido, pois, se fosse correto, ninguém poderia se alegrar com uma cor bela, só se apreciaria a luz pura; não se veria que também uma cor pura transmite a luz, mesmo que de uma forma particular. Quando entro num santuário, pertença ele a qual religião pertencer, sinto com gratidão a Barakah** particular, e depois, nela e por meio dela, a Barakah primordial. E isso não subtrai nada do fato de que o santuário próprio à Religio Perennis é a natureza virgem, tal como Deus a criou.

*Oração de abertura do Alcorão (N. do E.).
** “Bênção”, em árabe (N. do E.).

Carta de Schuon de 19 de outubro de 1980. Aqui traduzida do original alemão.


Ich habe des öfteren folgendes wiederholt: wenn ich in der Fâtihah um die rechte Wegleitung bitte, dann tue ich es nicht, weil ich auf Islamische weise beten will, sondern um Gott zu sagen, was ich aufrichtig wünsche und was alle Menschen wünschen sollen, nämlich: “Führe uns den geraden Pfad.”

Jemand sagte mir einmal, wenn er in eine Moschee eintrete, fühle er sich beengt durch die Glaubensform; das ist selbstverständlich Unsinn, denn wenn dies richtig wäre, könnte man sich an keiner schönen Farbe freuen, man hätte nur Verständnis für das reine Licht; man sähe nicht, dass auch eine reine Farbe das Licht weitergibt, wenn auch auf besondere Weise. Wenn ich in ein Heiligtum eintrete, welcher Religion es auch zugehöre, so fühle ich dankbar die besondere Barakah, und dann, in ihr und durch sie, die Ur-Barakah. Und dies nimmt nichts von der Tatsache hinweg, dass das eigentliche Heiligtum der Religio Perennis die freie Gottesnatur ist.

Schuon, Schreiben vom 19. Oktober 1980.

O que Deus pede de nós em primeiro lugar

Conchita, uma das videntes de Garabandal, Espanha.

O que torna sua posição difícil é a combinação de dois domínios de desejo muito diferentes: você quer, como todos, ser feliz, mas você também quer, como toda pessoa espiritual, não desperdiçar a razão suficiente ou o sentido desta vida terrena. Ora, estes quereres algumas vezes se contradizem um ao outro, ao menos por certo período, mas o desejo da felicidade não deve fazer diminuir o desejo da salvação. Entenda-me! O que Deus pede de nós em primeiro lugar — pois isto diz respeito a todos os homens — é que salvemos nossas almas; se essa salvação está ligada a um conhecimento metafísico e a práticas esotéricas é uma outra questão. E aqui o homem tem três possibilidades: ou ele não tem nenhuma relação interior com a verdade suprema, não entende nada da sabedoria de Deus e não quer saber nada sobre ela; ou ele entende e ama essa sabedoria em algum grau, mas, por alguma razão, não pode seguir uma via correspondente; ou — e esta é a terceira possibilidade — ele entende e ama essa sabedoria e pode procurar realizá-la seguindo um método.

Ora, o que você me diz em sua carta, a respeito de suas dificuldades psicológicas, leva-me a supor que a sua possibilidade é a segunda. Você leu sobre as qualificações iniciáticas: uma disposição à neurose não é compatível com exercícios espirituais praticados de forma estrita e metódica. O que lhe digo aqui abre-lhe as seguintes perspectivas: dado que Deus pede com certeza a você apenas uma coisa, porque ele pede isso a todo homem — a saber, salvar sua alma e consequentemente incorporar-se a uma tradição que lhe oferece os meios para isso —, o critério da via para você não está primariamente no esoterismo, mas na ortodoxia.

Portanto, de um ponto de vista puramente principial, o seu caminho poderia estar quer no Cristianismo latino, quer no ortodoxo, ou ainda no Islã; nenhuma dessas formas excluiria sua necessidade de um aprofundamento metafísico. Mas as mais favoráveis seriam o Cristianismo grego ou o Islã, porque neles não predomina a conformidade forçada, espiritualmente paralisante, que é característica da Igreja Romana; em outras palavras: a Igreja Romana, pela filosofia, pelo moralismo exclusivo e pela sentimentalidade excessiva tornou-se incapaz de uma espiritualidade viva, e sua socialização interior leva inevitavelmente todos os fiéis a ficarem em sintonia com a espiritualidade “oficial” — ou não-espiritualidade. O mesmo não acontece na Igreja Grega, que sempre se defendeu contra a socialização interna e o igualitarismo, e ainda possui um esoterismo vivo, ao menos no Monte Atos.

Seja como for, o Islã, de seu lado, tem a vantagem de que nele todo homem é seu próprio sacerdote; contudo, para nós, ocidentais e norte-europeus, ele tem a desvantagem de em certa medida separar-nos da sociedade e condenar-nos a uma certa solidão; mas isto, de um ponto de vista espiritual, é uma vantagem, na medida em que todo homem espiritual é de alguma forma solitário e, de fato, o mundo em que se vive hoje é explicitamente não-espiritual. Em relação a isso, gostaria de deixar bem claro para você o seguinte: primeiro, que a regra espiritual a que seu marido se submete não exige que você siga a mesma regra; segundo, que ela não exige de você nenhum isolamento exterior em relação às pessoas não-espirituais à sua volta; portanto, se seguir a mesma tradição de seu marido, você pode continuar a cultivar todos os seus relacionamentos e suas atividades anteriores.

O que você deveria fazer acima de tudo é praticar a oração livre, na qual você deve contar a Deus, como você contaria a uma pessoa, todos os seus problemas. Alguém uma vez me disse: “Mas eu não consigo rezar”, e eu respondi: “Então diga a Deus ‘eu não consigo rezar’. Mas expresse isso! Então o encantamento logo se quebrará.”


Carta de Schuon a uma sua leitora, esposa de um de seus discípulos, datada de 7 de novembro de 1949. Letters of Frithjof Schuon — Reflections on the Perennial Philosopy, org. Michael Fitzgerald, World Wisdom, 2022, pp. 68-69.

Pela oração podemos transformar o chumbo em ouro

Árabe de Haifa (c. 1900).

Estar só com Deus — sem amargura para com ninguém, isto é uma condição formal — é uma coisa maravilhosa; essa solidão que vive da invocação do Nome divino. Nossa vida está aí diante de nós, e devemos vivê-la; não podemos fugir dela. Eu sei onde está a dificuldade: é mais fácil — ou menos difícil — estar só numa ilha deserta do que estar entre homens que não nos entendem. Mas, se não temos escolha, então somos forçados a aceitar o destino que Deus nos deu e fazer dele o melhor que podemos. Por meio da oração podemos transformar o chumbo em ouro, alquimicamente falando; podemos mesmo transformar, em certa medida, aqueles que são parte de nossa vida.

A sua vida não pode não ter sentido aos olhos de Deus, pois você existe e tem inteligência e livre-arbítrio. Devemos começar com o que é certo, e não perder tempo estando ansiosos e fazendo constantes avaliações em relação ao que é incerto; ora, o que é absolutamente certo é a morte, o encontro com Deus, a eternidade; e depois o momento presente, esse que vivenciamos neste instante mesmo e que vivenciamos sempre, e no qual somos livres para escolher Deus, lembrando d’Ele [*]. As coisas que são incertas devem estar subordinadas às que são certas — que são espirituais — e não o inverso.

*Nota: Schuon refere-se à invocação de um Nome divino ou fórmula sagrada, com autorização e sob orientação de um mestre ou diretor espiritual. Essa invocação é chamada, no Sufismo, de “lembrança de Deus” ou “menção de Deus”. Está presente em todas as tradições religiosas, sob diferentes nomes.


Schuon, extrato de carta de c. 1960, Letters of Frithjof Schuon – Reflections on the Perennial Philosophy, org. Michael Fitzgerald, World Wisdom, EUA, 2022, p. 111.

A máquina tende a fazer do homem o que ela é

A fiação manual é um exemplo de um ofício ainda humano e contemplativo.

É difícil negar, quando ainda se é sensível às normas verdadeiras, que a máquina tende a fazer do homem o que ela é; que ela o torna brusco, brutal, vulgar, quantitativo e estúpido como ela, e que toda a “cultura” se ressente disso. É o que explica em parte o “sincerismo” e a mística do “engajamento”: é preciso ser “sincero” porque a máquina não tem mistério e é incapaz de prudência bem como de generosidade; é preciso ser “engajado”, porque a máquina só tem valor por suas produções, ou porque ela exige uma supervisão constante e mesmo um verdadeiro “dom de si” [*], e assim devora o homem e o humano; é preciso abster-se, em arte e em literatura, de “complacência”, pois a máquina não é complacente e sua feiura, sua ruidosa agitação e sua implacabilidade se confundem, no espírito de seus escravos e de suas criaturas, com a “realidade”; e sobretudo é preciso não ter Deus, porque a máquina não tem Deus, ou porque ela mesma usurpa esse papel.

[*] Se se nos objeta que o mesmo acontecia nos antigos ofícios, responderemos que há aí uma diferença notável pelo fato de que esses ofícios tinham um caráter propriamente humano e portanto contemplativo, e, por esse fato, não comportavam nem a agitação nem o esmagamento próprios do maquinismo.

Schuon, A Transfiguração do Homem, livro disponível neste website.

Nada é mais contraditório que negar o espírito

Imagem do Buda em Polonnaruwa, Sri Lanka.

Nada é mais contraditório do que negar o espírito, ou mesmo simplesmente o elemento psíquico, em favor da ideia de que só a matéria existe, pois é o espírito que nega, enquanto a matéria permanece inerte e inconsciente. O fato de que a matéria possa ser pensada prova, precisamente, que o materialismo se contradiz desde seu ponto de partida, um pouco como o pirronismo, para o qual é verdade que não existe verdade, ou como o relativismo, para o qual tudo é relativo, exceto esta afirmação.


Rien n’est plus contradictoire que de nier l’esprit, ou même simplement l’élément psychique, en faveur de la seule matière, car c’est l’esprit qui nie, alors que la matière demeure inerte et inconsciente. Le fait que la matière peut être pensée prouve précisément que le matérialisme se contredit dès son point de départ, un peu comme le pyrrhonisme pour lequel il est vrai qu’il n’y a pas de vérité, ou comme le relativisme pour lequel tout est relatif, sauf cette affirmation.

SchuonLe jeu des masques, 1992, «En face de la contingence», p.69-70.

Certeza e serenidade, união a Deus

Joachim (1895-1950) da Skete de Santa Ana, Monte Athos.

Discernimento e contemplação; poderíamos dizer também, por analogia: certeza e serenidade. Certeza do pensamento e serenidade da mente, em primeiro lugar, mas também certeza e serenidade do coração; portanto derivando, não somente da visão intelectual do Transcendente, mas também da actualização mística do Imanente. Realizadas no coração, a certeza e a serenidade se tornam respectivamente a fé unitiva e o recolhimento contemplativo e extintivo; a Vida e a Paz em Deus e por Ele; portanto a união a Deus.

Schuon, Nos Caminhos da Religião Perene, livro disponível neste website, capítulo “Síntese e conclusão“.

Tesouros

Santo Antônio das Cavernas de Kiev (séc. 11).

A Oração-Forma — e quintessencialmente o Nome divino — contém a vontade de Deus de salvar o homem. A Oração-Ato — e quintessencialmente o coração humano — contém o desejo do homem de ser salvo.

A Oração contém e comunica todos os tesouros da Presença divina e da Fé humana.

Onde está a Verdade, está a Salvação.
Onde está a Certeza, está a Paz.
Onde está a Prece, está a Graça.
Onde está o Fervor, está a Vitória.

Foi dito: “Onde estiver o teu tesouro, lá estará também o teu coração.” Possa o homem reconhecer seu tesouro na Verdade libertadora, com todo o seu coração.


Schuon, A Transfiguração do Homem, Sapientia, 2009, p. 118. Disponível neste website.

As injustiças nos põem à prova

Japão, séc. 19.

Toda injustiça que sofremos da parte dos homens é ao mesmo tempo uma provação que nos chega da parte de Deus.


Toute injustice que nous subissons de la part des hommes est en même temps une épreuve qui nous arrive de la part de Dieu.

Schuon, L’ésotérisme comme principe et comme voie, Dervy Livres, 1997, p. 141

O espiritual procura sempre ser objetivo, nobre, simples

A serenidade e a bondade espirituais parecem sobressair nesta foto de Dom Bosco (1815-1888).

Entre as qualidades que são indispensáveis para a espiritualidade em geral, mencionaremos em primeiro lugar uma atitude mental que poderíamos designar, na falta de um termo melhor, com a palavra “objetividade”: é uma atitude da inteligência totalmente desinteressada, portanto livre de ambição e de partidarismo, e, por esse fato, marcada pela serenidade. Em segundo lugar, mencionaremos uma qualidade que diz respeito à vida psíquica da pessoa: é a nobreza, ou seja, a elevação da alma em relação às coisas mesquinhas; é, no fundo, um discernimento, em modo psíquico, entre o essencial e o acidental, ou entre o real e o irreal. Por fim, há a virtude de simplicidade: o homem se vê livre de toda crispação inconsciente causada pelo amor-próprio; ele tem, em relação aos seres e às coisas, uma atitude completamente original e espontânea, isto é, sem nada de artificial; ele está livre de toda pretensão, ostentação ou dissimulação; numa palavra, ele não tem orgulho. Todo método espiritual exige antes de tudo uma atitude de pobreza, de humildade, de simplicidade ou de autoapagamento, atitude que é como uma antecipação da extinção em Deus.


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O “realismo” político não pode justificar vilanias

Arqueiro Zen: “…que os meios não violem as normas da natureza…”

Ouve-se com demasiada frequência censurarem o “sentimentalismo” de homens que protestam, não contra um mal necessário, mas contra uma baixeza; essa censura, mesmo se coincide acidentalmente com a verdade do ponto de vista simplesmente psicológico, é no entanto totalmente injustificada enquanto pretende reduzir reações da inteligência a suas possíveis concomitâncias emotivas.

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O relativismo se quer absoluto

Mosaico marroquino.

O relativismo reduz todo elemento de absolutez à relatividade, fazendo uma exceção totalmente ilógica com esta própria redução. Ele consiste, em suma, em declarar que é verdadeiro que não existe verdade, ou que é absolutamente verdadeiro que só existe o relativamente verdadeiro; o mesmo valeria dizer que não existe linguagem, ou escrever que não existe escrita. Ou seja: toda ideia se vê reduzida a uma relatividade quer psicológica, quer histórica, quer social; a asserção se anula pelo fato de que ela se apresenta a si mesma como uma relatividade psicológica, histórica ou social, e assim por diante. A asserção se anula, se é verdadeira, e, em se anulando logicamente, prova que é falsa; sua absurdidade inicial é a pretensão implícita de só ela escapar, como por encanto, de uma relatividade declarada como única possibilidade.

Schuon, “A contradição do relativismo“, ensaio publicado neste website.

A natureza: uma escolha mais inteligente e realista

Índio da tribo Blackfoot, 1926. Foto de Edward Curtis.

A ideologia progressista do século 19 acreditava poder reduzir o problema do espírito humano, sob certo aspecto ao menos, à distinção mais expeditiva entre “civilizados” e “bárbaros”; ora, se ser inteligente é ser realista, os peles-vermelhas, por exemplo, com seu realismo ecológico, eram mais inteligentes que os brancos quimericamente industrialistas, e eles o eram, não apenas na superfície, mas em profundidade. O que nos permite observar que o naturismo dos povos sem escrita se baseia mais frequentemente do que se está disposto a admitir numa “escolha primordial” que está longe de ser desprovida de sabedoria; desconfiando instintivamente da inteligência do aprendiz de feiticeiro, eles preferiram se abster dela.*

*Nota: Seus axiomas: se criais alguma coisa — indo muito longe na exteriorização e na concretização —, vós vos tornareis escravos dela; as aglomerações urbanas produzem a degenerescência e as calamidades. Essas convicções explicam o vandalismo dos povos naturistas quando se fazem conquistadores, ainda que em seguida eles não possam resistir à hipnose das civilizações urbanas. A iconoclastia judaico-muçulmana não deixa de ter relação com esta perspectiva.


Schuon, Raízes da Condição Humana, ed. Kalon, 2014, pp.26-27. O livro está disponível neste website.

Na confiança em Deus há um grande mistério

A santa hindu Anandamayi Ma (1896 – 1982).

Há dissonâncias na vida que nos são ininteligíveis e insuportáveis porque elas têm o Maligno por autor; precisamente porque vêm do Maligno elas são o que são.

Na confiança em Deus reside um grande mistério ou milagre. Essa é a chave para o florescimento espiritual; interiormente o repouso em Deus, exteriormente a confiança em Deus, a entrega das coisas à Sabedoria e à Bondade Divinas. Pôr nossas preocupações em Suas Mãos e descansar junto a Ele, como uma criança despreocupada. Está tu interiormente junto a Deus, Ele estará exteriormente junto a ti. Neste sentido, o Profeta disse: “Aquele que protege a Deus em seu coração, Deus o protege no mundo.”

Na vida, mesmo que nos refugiemos no que é grande, encontramos sempre de novo a pequenez, e, quando ela nos fere, corremos o risco de responder à pequenez com pequenez: pois esta é sua maneira de atrair o homem para sua estreiteza. Quanto à grandeza, nós a temos somente de Deus e em Deus, pois tudo o que é verdadeiramente grande o é a partir de Deus; somente n’Ele reside nosso refúgio diante da pequenez mortal do mundo e nossa resposta ao que é pequeno. Quando o pequeno ou o vão te atacam, não te tornes tu mesmo pequeno e vão, mas sê grande agradecendo a Deus por essa experiência, que te mostra mais uma vez que as coisas mundanas são pequenas e vãs; e entrega tuas coisas a Deus, sem te atormentares com perguntas.

Não tentes resolver as coisas em seu próprio nível sem sentido; não forces o sem sentido a ter um sentido e não te tornes tu mesmo sem sentido; mas toma as coisas por sua raiz, que reside em ti mesmo; não contendas com o que é pequeno, mas entende por que ele é pequeno e por que está aí e deve estar aí; lembra-te do que é a grandeza e oferece ao teu próximo a grandeza onde puderes; pois todo ser está ligado a Deus e assim tem grandeza em si; a pequenez é apenas uma nuvem escurecedora e um alarido externo.

Na santíssima Verdade e na Oração suprema não há estreiteza nem amargura, mas somente amplidão e uma paz suave e refrescante.


SchuonMeditações de Viagem, publicado neste website.

Toda viagem é uma peregrinação

Índio da tribo Cree, Estados Unidos.

Uma viagem não é meramente um deslocamento de um lugar para outro, mas também um deslocamento de si para si mesmo; deste modo, toda viagem é uma peregrinação, toda viagem leva ao escrínio sagrado do Coração. Se uma viagem é ou não um sucesso, depende não tanto de realizarmos isto ou aquilo quanto de nos superarmos e deixarmos para trás uma parte de nosso eu inferior — de superarmos algo que na realidade não é “nós mesmos”.

Schuon, Meditações de Viagem, publicado neste website.


Este é um pequeno livro que é uma joia de meditações. Recomendo vivamente sua leitura.

Ser homem é dominar-se e superar-se

Commémoration de la mort de l'Emir Abdelkader, précurseur des valeurs  universelles
O grande Emir Abd El-Kader (1808-1883): líder militar e místico (súfi).

Superar-se: eis o grande imperativo da condição humana; e há outro que o antecipa e ao mesmo tempo o prolonga: dominar-se. O homem nobre é aquele que se domina; o homem santo é aquele que se supera. A nobreza e a santidade são os imperativos do estado humano.

Schuon, L’ésotérisme comme principe et comme voie, Dervy Livres, 1997, p. 143.


Se dépasser : c’est là le grand impératif de la condition humaine ; et il en est un autre qui l’anticipe et en même temps le prolonge : se dominer. L’homme noble est celui qui se domine ; l’homme saint est celui qui se dépasse. La noblesse et la sainteté sont les impératifs de l’état humain.

Schuon, L’ésotérisme comme principe et comme voie, Dervy Livres, 1997, p. 143.