“A injustiça é uma provação, mas a provação não é uma injustiça”

(Notei agora que já tinha publicado esta carta, em julho de 2015. Mas, agora que o fiz, acho válido mantê-la aqui, repetida, dada a sua importância. Ela foi incorporada a um belo  ensaio publicados no livro O Esoterismo como Princípio e como Via, que, infelizmente, tem uma tradução brasileira não muito boa, como também já indiquei neste espaço.)

“A injustiça é uma provação, mas a provação não é uma injustiça. As injustiças vêm dos homens, enquanto que as provações vêm de Deus; aquilo que, da parte dos homens, é injustiça e, por consequência, mal, é provação e destino da parte de Deus. O homem tem o direito ou, eventualmente, o dever de combater um determinado mal, mas ele deve se resignar à provação e aceitar o destino; ou seja, é preciso combinar  as duas atitudes, dado que toda injustiça que sofremos da parte dos homens é ao mesmo tempo uma provação que nos chega da parte de Deus.

“Na dimensão horizontal ou terrestre, o homem pode escapar ao mal combatendo-o e vencendo-o; na dimensão vertical ou espiritual, ao contrário, ele pode escapar, se não à provação em si, ao menos ao seu peso, e isto aceitando o mal enquanto vontade divina ao mesmo tempo em que o transcende interiormente enquanto jogo cósmico, como se pode transcender espiritualmente qualquer outra manifestação de Mâyâ. Pois o ruído do mundo não entra no Silêncio divino, que trazemos no fundo de nós mesmos e no qual se extinguem ou se reabsorvem, como os acidentes na substância, o mundo e o eu.

“O homem tem o dever de se resignar à vontade de Deus, mas ele tem da mesma forma o direito de superar espiritualmente o sofrimento da alma, na medida em que isso lhe é possível; e isso não é possível, precisamente, sem a atitude prévia de aceitação e de resignação, a única que libera plenamente a serenidade da inteligência e a única que abre a alma ao socorro do Céu.”

* * *

Nota do tradutor: A palavra francesa épreuve, que aqui traduzimos por “provação”, tem também o sentido de “prova, teste”.

Frithjof Schuon, carta sem data, publicada em Vers l’Essentiel, Lettres d’un Maître Spirituel, Edition Les Sept Flèches, Lausanne, Suíça, 2013, pp. 198 e 199.

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