“Não desculpar o indesculpável”

A partir de um certo grau de perversão, não há mais circunstâncias atenuantes, precisamente porque esse grau abole aquelas que poderia haver. Não há jamais nenhuma desculpa para o elemento satânico, e procurar uma desculpa provém desse mesmo elemento; desculpar a infâmia é gravíssimo.

E é importante saber que o homem que se tornou perverso carrega sempre a total responsabilidade por sua baixeza ou sua decadência; o que quer dizer: a infâmia de um não pode nunca ser culpa de outros. Um trauma tem limites que permitem desculpas; a infâmia supera esses limites.

Se não há infâmia, tem-se o direito — ou, eventualmente, o dever — de invocar circunstâncias atenuantes plausíveis ou verossímeis, mas não se tem o direito de inventá-las por caridade ou por partidarismo, pois isso seria destruir a inteligência, e a priori negar os direitos desta. Ora, “não há direito superior ao da verdade”.

A grandeza de alma não é imaginar circunstâncias atenuantes inexistentes, é levar em conta aquelas que existem ou que são possíveis.

Há poucas coisas mais exasperantes do que a tendência a achar “muito dura” uma crítica justificada e necessária, pois, se o homem a quem a censura se dirige não a aceita por causa de certa “dureza” real ou imaginária, é que ele a merece, e mesmo mais do que ela.


Texto de Frithjof Schuon, inédito, traduzido do original francês.

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