Só na prece somos perfeitamente nós mesmos

Monge com Bíblia ortodoxa na Igreja de Santa Maria em Axum, Etiópia.

Todas as vezes que o homem se põe diante de Deus com um coração íntegro — ou seja, pobre e sem se inflar —, ele se coloca no solo da certeza absoluta, a de sua salvação condicional, bem como a de Deus. E é por isso que Deus nos deu essa chave sobrenatural que é a prece: a fim de que nós pudéssemos nos colocar diante d’Ele, como no estado primordial, e como sempre e em toda parte; ou como na eternidade.

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A prece — no sentido mais amplo — triunfa sobre quatro acidentes de nossa existência: o mundo, a vida, o corpo, a alma; poderíamos também dizer: o espaço, o tempo, a matéria, o desejo. Ela se situa na existência como um abrigo, como uma pequena ilha. Somente nela nós somos perfeitamente nós mesmos, porque ela nos põe em
presença de Deus. Ela é como um diamante que nada pode manchar e ao qual nada resiste.


Frithjof Schuon, Les Perles du Pèlerin, Editions du Seuil, 1990.