A natureza: uma escolha mais inteligente e realista

Índio da tribo Blackfoot, 1926. Foto de Edward Curtis.

A ideologia progressista do século 19 acreditava poder reduzir o problema do espírito humano, sob certo aspecto ao menos, à distinção mais expeditiva entre “civilizados” e “bárbaros”; ora, se ser inteligente é ser realista, os peles-vermelhas, por exemplo, com seu realismo ecológico, eram mais inteligentes que os brancos quimericamente industrialistas, e eles o eram, não apenas na superfície, mas em profundidade. O que nos permite observar que o naturismo dos povos sem escrita se baseia mais frequentemente do que se está disposto a admitir numa “escolha primordial” que está longe de ser desprovida de sabedoria; desconfiando instintivamente da inteligência do aprendiz de feiticeiro, eles preferiram se abster dela.*

*Nota: Seus axiomas: se criais alguma coisa — indo muito longe na exteriorização e na concretização —, vós vos tornareis escravos dela; as aglomerações urbanas produzem a degenerescência e as calamidades. Essas convicções explicam o vandalismo dos povos naturistas quando se fazem conquistadores, ainda que em seguida eles não possam resistir à hipnose das civilizações urbanas. A iconoclastia judaico-muçulmana não deixa de ter relação com esta perspectiva.


Schuon, Raízes da Condição Humana, ed. Kalon, 2014, pp.26-27. O livro está disponível neste website.