A verdade esotérica é uma faca de dois gumes

Há homens que podem compreender gradualmente, por meio de expressões simbólicas, o que eles seriam incapazes de compreender por meio de teorias complexas; isto indica, não, por certo, a relatividade da verdade, a qual, “doutrinal” ou não, é imutável, mas a relatividade do papel prático das formulações.

Há outros homens que têm facilidade para compreender teorias, mas sua compreensão não é mais que conceitual e está como que congelada numa só dimensão: eles se deleitam, de certo modo, com a homogeneidade formal da doutrina, de onde o paradoxo de uma compreensão formal que se acompanha de uma incompreensão essencial.

A verdade esotérica é uma faca de dois gumes: há homens que perdem Deus porque ignoram essa verdade, que seria a única a os salvar; e há outros que, pensando compreendê-la, forjam para si mesmos uma fé ilusória e arrogante que eles põem, na prática, no lugar de Deus.


Frithjof Schuon, Perspectives spirituelles et faits humains, Cahiers du Sud, Paris, 1953, p. 104.

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