“A indiferença ante a verdade e ante Deus é vizinha do orgulho e não existe sem a hipocrisia; sua aparente doçura é cheia de suficiência e de arrogância; nesse estado de alma, o indivíduo está contente com si mesmo, mesmo se se acusa de pequenas faltas e se mostra modesto, o que não o compromete em nada e, ao contrário, reforça sua ilusão de ser virtuoso. É o critério da indiferença que permite surpreender o ‘homem médio’ como ‘em flagrante delito’, pegar o vício mais dissimulado e mais insidioso por assim dizer pela garganta e provar a cada um sua pobreza e sua miséria; é essa indiferença que é em suma o ‘pecado original’, ou que o manifesta mais geralmente.”
Frithjof Schuon, O Homem no Universo, Perspectiva, São Paulo, 2001, p.70.