I due grandi momenti

Santa Bernadette

Ci sono due momenti nella vita che sono tutto, e cioè il momento presente, in cui siamo liberi di scegliere quello che vogliamo essere, e il momento della morte, nel quale non abbiamo più scelta alcuna e dove la decisione spetta a Dio.

Ora, se il momento presente è buono, la morte sarà buona; se siamo adesso con Dio — nel presente che si rinnova senza posa ma resta sempre questo solo momento attuale — Dio sarà con noi nel momento della nostra morte.

Il ricordo de Dio è una morte nella vita, sarà una vita nella morte.

In maniera analoga: se entriamo in Dio, Dio entrerà in noi.

Se dimoriamo in quel centro che è il suo Nome, Dio abiterà il centro costituito dal nostro cuore. Nell’intera estensione del mondo non c’è nient’altro che questa reciprocità; poiché il centro è in ogni dove, come il presente è sempre.

Tra il momento presente, nel quale ci ricordiamo di Dio, e la morte, in cui Dio si ricorderà di noi — e tale reciprocità è già in ogni Invocazione — c’è il resto della vita, la durata che s’estende dal momento presente fino a quello estremo; ma la durata è soltanto una successione di momenti presenti, giacché viviamo sempre “ora”; è pertanto, in una prospettiva concreta e operativa, sempre il medesimo istante in cui siamo liberi di ricordarci di Dio e di trovare la nostra felicitá in quel Ricordo.

Non siamo liberi di sfuggire alla morte, lo siamo però di scegliere Dio, in questo momento presente che riassume qualsiasi momento possibile. É vero che solo Dio è libero in assoluto; ma la nostra libertà è tuttavia reale sul suo piano — altrimenti la parola non esisterebbe — visto che manifesta quella di Dio e perciò vi partecipa. In Dio siamo liberi quanto possiamo esserlo, e nella misura che Dio ci reintegra nella sua Libertà infinita.

(Frithjof Schuon, La Trasfigurazione dell’Uomo, Edizioni Mediterranee, Roma, 2016, pp. 135-136.) #frithjofschuon #sophiaperennis

Inteligência, vontade e sentimento

Beatriz indicando o caminho a Dante

(…) as prerrogativas do estado humano consistem essencialmente numa inteligência, numa vontade e num sentimento capazes de objetividade e de transcendência. A objetividade é a dimensão “horizontal”: é a capacidade de conhecer, de querer e de amar as coisas como elas são, portanto sem deformação subjetivista; a transcendência, por sua vez, é a dimensão “vertical”: é a capacidade de conhecer, de querer e de amar Deus e, ipso facto, todos os valores que superam nossa experiência terrestre e que se referem mais ou menos diretamente à Ordem divina.

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Debolezza e forza

La debolezza è la convinzione abituale d’essere deboli; esser deboli vuol dire ignorare che ogni uomo ha acesso alla forza, a qualunque forza esista. La forza non è un privilegio dei forti, ma una potenzialità di ciascun uomo; il problema sta nel trovare l’acesso a quella forza.

Essere deboli vuol dire essere passivamente sottoposti alla durata; essere forti equivale a essere attivamente liberi nell’istante, nell’Eterno Presente.

Essere deboli equivale a cedere a delle pressioni, e si cede a delle pressioni poiché non si vedono gli effetti nelle cause. Il peccato è una causa, il castigo è l’effetto concordante. L’uomo è debole giacché manca di fede; la sua fede è astratta, ipocrita e inoperante; egli crede al Cielo e all’Inferno, ma agisce quasi che non ci credesse. Ora noi dobbiamo fuggire il male come fuggiremmo un fuoco che vedessimo avventarsi su di noi, e dobbiamo aggrapparci al bene come ci attaccheremmo a un’oasi che scorgessimo in mezzo a un deserto.

Frithjof Schuon, La Trasfigurazione dell’Uomo, Edizioni Mediterranee, Italia, 2016, p. 113. Foto: Toro Seduto, in inglese Sitting Bull, in Lakota – Tatanka Yotanka. #frithjofschuon #sophiaperennis

Conhecer a Verdade, querer o Bem, amar o Belo

Inteligência total, vontade livre, sentimento capaz de desinteressamento: eis as prerrogativas que colocam o homem no ápice das criaturas terrestres. Total, a inteligência toma conhecimento de tudo o que é, no mundo dos princípios bem como no dos fenômenos; livre, a vontade pode escolher mesmo o que é contrário ao interesse imediato ou ao agradável; desinteressado, o sentimento é capaz de se olhar desde fora e, não menos, de se pôr no lugar dos outros. Todo homem o pode em princípio, enquanto que o animal não o pode, o que derruba a objeção de que nem todos os homens são humildes ou caridosos: por certo, os efeitos da “queda” enfraquecem as prerrogativas da natureza humana, mas eles não as poderiam abolir sem abolir o próprio homem. Dizer que o homem é dotado de uma sensibilidade capaz de objetividade significa que ele possui uma subjetividade não encerrada em si mesma, mas aberta para as outras e para o Céu; de fato, todo homem normal pode se encontrar numa situação em que ele manifestará espontaneamente a capacidade humana de compaixão ou de generosidade, e todo homem é dotado, em sua substância, do que podemos chamar de “instinto religioso”.

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Virtude e Via

“Todo ser é fundamentalmente o Ser em si.”

Texto: “Virtude e Via”, de Frithjof Schuon, lido por A.Q. Foto: Swami Ramdas.

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O homem é uma porta aberta em direção a Deus

Torii

Deus abriu uma porta no meio da criação, e esta porta aberta do mundo em direção a Deus é o homem; esta abertura é o convite de Deus para olharmos em direção a Ele, para tendermos a Ele, para perseverarmos junto a Ele e para retornarmos a Ele. E isto nos permite entender por que esta porta se fecha na morte quando foi desprezada durante a vida; pois ser homem não significa nenhuma outra coisa senão olhar para fora e atravessar a porta. Descrença e paganismo são tudo quanto dê as costas à porta aberta; em seu umbral, a luz e as trevas se separam.

A noção de inferno torna-se perfeitamente clara quando pensamos o quão insensato é — e o quanto é um desperdício e um suicídio — deslizar através do estado humano sem ser verdadeiramente homem, isto é, passar ao largo de Deus, e por consequência passar ao largo de nossa própria alma, como se tivéssemos direito às faculdades humanas independentemente do retorno a Deus e como se o milagre do estado humano tivesse uma razão suficiente independentemente do fim que está prefigurado no próprio homem; ou ainda: como se Deus não tivesse nenhum motivo ao dar-nos uma inteligência que discerne e uma vontade que escolhe.

Dado que esta porta é um centro — e ela tem de sê-lo, visto que leva a Deus —, ela corresponde a uma possibilidade rara e preciosa, que é única para a sua ambiência. E isto explica por que há uma danação; pois aquele que se recusou a passar pela porta não poderá nunca mais transpô-la. Daí a representação do pós-vida como uma alternativa implacável: para quem olha da porta — isto é, do estado humano —, não há escolha senão entre o interior e o exterior.

O que para o homem é tudo, é que a inteligência se torne de fato, graças ao conteúdo que lhe corresponde, aquilo que ela é em princípio, e, similarmente, que a vontade se torne realmente livre graças ao objeto que lhe corresponde. Em outros termos: a inteligência só é verdadeiramente inteligência na medida em que ela discerne entre o Real e o ilusório, e a vontade só é verdadeiramente livre na medida em que se esforça pelo Real.

Texto de Frithjof Schuon até onde sabemos ainda inédito no original francês, mas publicado em alemão em Perlen des Pilgers, Benziger Verlag, Dusseldorf e Zurique, 2000, pp. 68-69. #frithjofschuon #sophiaperennis

In questo istante possediamo l’intera nostra vita

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Nella dimensone temporale che s’estende dinanzi a noi, non vi sono che tre certezze: la morte, il Giudizio e la Vita eterna. Non abbiamo alcun potere sul passato e ignoriamo il futuro; non abbiamo, per il futuro, che queste tre certezze, ma ne possediamo una quarta in questo stesso momento, ed essa è tutto: è la nostra attualità, la nostra libertà attuale di scegliere Dio e di scegliere così tutto il nostro destino. In questo istante, in questo presente, possediamo l’intera nostra vita, l’intera nostra esistenza: tutto è buono se questo istante è buono, e se sappiamo fissare la nostra vita in tale istante benedetto; il segreto della fedeltà spirituale sta nel dimorare in tale istante, nel rinnovarlo e nel perpetuarlo con la preghiera, nel trattenerlo col ritmo spirituale, nel collocarvi tutto il tempo che si riversa su di noi e che rischia de portarci lontano da questo “momento divino”. La vocazione del religioso è la preguiera perpetua, non perché la vita sia lunga, ma perché non è che un momento; la perpetuità – o il ritmo – dell’orazione prova che la vita è solo un istante sempre presente, come la fissazione spaziale in un luogo consacrato prova che il mondo è soltanto un punto, un punto però che, appartenendo a Dio, è dappertutto, e non esclude alcuna felicità.

Frithjof Schuon, Sguardi sui Mondi Antichi, Edizioni Mediterranee, Roma, 1996, pp.128,129. #frithjofschuon #sophiaperennis

A humanidade de hoje não tem discernimento espiritual

São Miguel Arcanjo

“Antigamente, o príncipe das trevas combatia as religiões sobretudo desde fora, fazendo-se abstração da natureza pecadora dos homens; em nossa época, ele acrescenta a essa luta um estratagema novo, ao menos quanto à acentuação, o qual consiste em apoderar-se das religiões desde dentro; e ele já conseguiu isso em grande parte, tanto no mundo do Judaísmo e do Cristianismo quanto no do Islã. Isso nem mesmo lhe é difícil — usar do engodo seria quase um luxo inútil —, dada a prodigiosa falta de discernimento que caracteriza a humanidade de nossa época; uma humanidade que tende cada vez mais a substituir a inteligência pela psicologia e o objetivo pelo subjetivo, e até mesmo a verdade por ‘nosso tempo’.”

Frithjof Schuon, Christianisme/Islam – Vision d’Oecuménisme ésoterique, Archè, Milano, 1981, p. 78. #frithjofschuon #sophiaperennis

“O Homem no Universo”, livro de Frithjof Schuon

O livro está disponível na internet, na plataforma Internet Archive. Que obra! Cada capítulo mais incrível do que o outro. Foi publicado pela primeira vez em 1965. O título original francês é Regards sur les monde anciens, que pode ser traduzido como Olhares sobre os Mundos Antigos. O editor brasileiro optou pelo título O Homem no Universo, que é o de um dos ensaios nele contidos. Observe-se que, diferentemente do que consta nos dados bibliográficos, o livro foi traduzido do original francês.

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Articolo: “La Nozione d’Esoterismo in Frithjof Schuon”, di Patrick Laude

“La definizione e la portata della nozione d’esoterismo rimangono al centro d’un dibattito nella corrente tradizionale, cosa che emerge da diverse reazioni alla nozione di religio perennis com’è stata formulata da Frithjof Schuon. Sarà nostra intenzione cercare di sottolineare qui un certo numero di punti fondamentali che hanno potuto essere oscurati da sovraccentuazioni semplificatrici, o da pie esagerazioni suscitate da questo o quel contesto, o da tale o talaltra occasione. La nostra ambizione si limiterà così a fornire, nel modo più semplice e succinto possibile, una sorta di riassunto delle idee principali espresse da Frithjof Schuon sull’argomento, tanto nei suoi libri quanto in alcuni dei suoi testi non pubblicati.”

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Dois poemas alemães de Frithjof Schuon

Das Weltrad, IV - 125

Geh auf dem Weg, auf welchem Gott dich führt;
Gehst du mit ihm, so wird Er mit dir gehen.
Wohl dem, der sich fürs Himmelreich verliert —
Schaust du auf Gott, Er wird ins Herz dir sehen.

Und auch: du sollst dir keinen Kummer machen —
Du bist in Gottes Hand, und Er wird wachen.


A Roda do Mundo, IV - 125


Segue pelo Caminho pelo qual Deus te conduz;
se vais com Ele, também Ele irá contigo.
Feliz o que se perde a si mesmo pelo Reino Celeste —
Se olhas para Deus, Ele olhará dentro de teu coração.

E além disso: não deves te preocupar com nada —
Estás nas Mãos de Deus, e Ele velará por ti.



Das Weltrad, IV - 126

Du sollst dich nicht in eine Welt verlieren
Wo Seelen in der Selbstsucht Wahn erfrieren.
Da wo der warme Wind der Güte weht,
Ist Friede — und ein Glück, das nicht vergeht.


A Roda do Mundo, IV - 126

Não deves perder-te num mundo
em que as almas se esfriam na ilusão do egoísmo.
Ali onde sopra o vento quente da Bondade
está a Paz — e uma felicidade que não desvanece.

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… Rahimahu Allâh

O Cheikh Al-Alawi

Acontece às vezes, em nossa época, em que a dúvida e o espírito utilitarista se estendem numa camada uniforme cada vez mais invasora, que tenhamos contatos com mundos cuja vida ainda transcorre, semelhante aos pesados rios da Ásia, segundo ritmos seculares — quer tenhamos nos mesclado com sociedades humanas que continuam a obedecer a ideias no sentido verdadeiro do termo, ou seja, a perspectivas originais do espírito, quer o destino nos ponha na presença de um daqueles que representam por si mesmos, e não somente por sua filiação a uma certa civilização, a ideia a partir da qual esta vive há séculos. A ideia que é o segredo, a determinação interna de toda forma tradicional, é por demais sutil e por demais profunda para ser realizada com uma mesma intensidade por todos aqueles que respiram sua atmosfera; portanto, é uma felicidade tanto mais preciosa aproximar-se de um mensageiro espiritualmente representativo de um desses mundos que o Ocidente moderno não consegue compreender. Pode-se comparar o encontro com um desses mensageiros ao que seria, por exemplo, em pleno século XX, o encontro com um santo da Idade Média ou com um patriarca semítico; e foi também essa a impressão que nos deu aquele que foi, em nossa época, um dos maiores Mestres do Sufismo: o Cheikh Al-Hadj Ahmed Abul Abbas ben Mustafa ben Aliwa, conhecido também sob o nome de Cheikh Al-Alawi, que faleceu há alguns meses em Mostaghanem.

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“Ele está em toda parte … em todos os mundos…”

O Buddha, estátua do séc. XI escavada na rocha em Gal Vihara. Polonnaruwa, Ceilão.

(…) Estas considerações nos aproximam da ideia búdica — e vedantina — da não-realidade do mundo [1]; para torná-la mais familiar, apelaremos a uma certa capacidade de imaginação e faremos a questão em sentido inverso: o que significa, então, a crença comum de que o mundo é real — absolutamente real? Como podemos chamar de “reais”, sem usar a menor nuance atenuante, fenômenos que se reduzem a quase nada, não em sua ambiência imediata, sem dúvida, mas desde que consideramos o espaço e o tempo em toda a sua extensão?

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“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha…”

O Sermão da Montanha — Cenas da vida de Cristo. Mosaico da Basílica de Sant’Apollinare Nuovo, em Ravenna, Itália.

No nível da dialética sagrada, o Evangelho nos oferece exemplos de simbolismo hiperbólico: quando o Cristo afirma que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, ou que basta ter um grão de mostarda de fé para poder mover uma montanha, ele se exprime de maneira tipicamente semita: o que se deve compreender é, de uma parte,  que é impossível à alma entrar diretamente na Glória enquanto ela permanecer apegada a coisas perecíveis — pois é o apego, e não a mera posse, que cria o vício da riqueza — e, de outra parte, que a fé comporta por ela mesma um poder sobrenatural, logo humanamente incomensurável, na medida em que é sincera. O exagero formal tem aqui por função sugerir, por um lado — quanto à riqueza — uma condição sine qua non da salvação e, de outro lado — quanto à fé — uma qualidade participativa e eficiente de absolutez. Observações análogas poderiam ser aplicadas às injunções — conformes a uma dialética isolante na qual uma relação particular está implícita — de oferecer a outra face ou de não julgar, e outras expressões do gênero.

Frithjof Schuon, Logique et Transcendance, Éditions Traditionnelles, Paris, 1982, p. 131. Tradução de MSA.

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