A qualidade divina de um Livro Revelado se mostra por seu resultado nas almas e no mundo

Ler as Escrituras sagradas da humanidade com uma admiração pura é uma coisa, e reconhecer que nem sempre se é capaz de apreciá-las é outra; podemos, de fato, saber que um texto, sendo sagrado, deve ser perfeito sob o duplo aspecto do conteúdo e da forma, mas podemos não estar em condições de constatar isso, conforme as passagens com as quais se choca nossa ignorância, e que só o comentário tradicional nos tornaria inteligíveis. Aceitar com veneração “toda palavra que sai da boca de Deus” não exige, portanto, evidentemente, nenhuma hipocrisia piedosa; ou seja, nossa aquiescência, não somente de princípio, mas também de fato, só é inteligente e sincera com a condição de se basear em motivos reais, sem o que deveríamos aceitar toda dissonância devida a um erro de tradução, enquanto ignorássemos sua falsidade (…)

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Em nossos dias, é a máquina que tende a tornar-se a medida do homem

Deus é a medida do homem espiritual. [São Silvano do Monte Athos (1886-1938)]

Dizer que o homem é a medida de todas as coisas só tem sentido se se parte da ideia de que Deus é a medida do homem, ou de que o Absoluto é a medida do relativo, ou, ainda, de que o Intelecto universal é a medida da existência individual; só é plenamente humano o que é determinado pelo divino e, por consequência, centrado nele. A partir do momento em que o homem se faz medida sem querer ser, por sua vez, medido, ou que ele define sem querer ser definido por aquilo que o supera e lhe dá todo o seu sentido, os pontos de referência humanos se dissipam; cortai o divino e o humano desaba.

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Cabe a nós transformar o mundo em ouro — mas em nosso interior

Shrî Ramakrishna Paramahansa (1836-1886)

O mundo é o que ele é; cabe a nós transformá-lo interiormente em ouro. O mundo como tal não nos diz respeito, só seu reflexo em nós mesmos tem importância. Os santos são os seres que compreenderam isso; eles não esperaram nada do mundo, e não tinham amargura. Eles tiraram tudo de si mesmos, por Deus e para Deus.

Um hesicasta disse que, no momento em que o homem pronuncia o Nome de Deus com uma concentração perfeita — ou um perfeito abandono —, nada o distingue de um santo. O santo é o homem que pôde “fixar” essa atitude. Deus não pede isso a nós, mas cada um deve dar o que pode.

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Frithjof Schuon, carta não datada, publicada em Vers L’Essentiel — Lettres d’un Maître spirituel, Editions Les Sept Flèches, Lausanne, 2013, p. 89.

Articolo: “Comunione e Invocazione”

Abbiamo pubblicato qui l’articolo “Communione e Invocazione”, di Frithjof Schuon. Commincia così:

“Ogni metodo di realizzazione spirituale comporta un mezzo fondamentale di concentrazione e d’attualizzazione; questo mezzo o sostegno è, nella maggioranza delle tradizioni se non in tutte, un’invocazione di un Nome divino, invocazione che può rivestire i modi più diversi, che vanno dall’appello propriamente detto, di cui la salmodia e la litania sono modalità secondarie, fino all’atto respiratorio e pure al silenzio che, per parte sua, sintetizza qualsiasi parola nella sua non differenziazione.”

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O homem deificado é o “motor imóvel”

No Céu, pode-se distinguir entre o Anjo supremo — ou o conjunto dos Arcanjos — e os outros anjos, aos quais se juntam os bem-aventurados; abaixo do Céu, na “roda dos nascimentos e das mortes”, o motor imóvel — como diria Aristóteles — não é senão o homem, o qual, sendo “feito à imagem de Deus”, abre-se para o Absoluto e para a Libertação. O homem representa ipso facto o Imutável e o Ilimitado, à maneira que o extremo limite da Manifestação universal torna possível; ele os representa potencialmente, indiretamente e passivamente no caso dos homens comuns, mas efetivamente, diretamente e ativamente em todo homem deificado; este é então central, não somente — como todo homem — em relação ao mundo animal, mas também — de uma maneira particular e por acréscimo — em relação à multidão dos homens comuns. Os “crentes” são como as gopis dançando em volta de Krishna e unindo-se a ele; enquanto ele toca — ele, o “motor imóvel” — a flauta salvadora.

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O mundo de hoje é a imagem da irresponsabilidade do homem moderno

“Os homens construíram ao seu redor um mundo feito de fenômenos artificiais, em cujo quadro deformante todos os seus erros e delitos têm a aparência de evidências ou de glórias; este mundo factício é de tal forma feito que o mal nele aparece como um bem, e o bem como um mal. Eles chamam de ‘realidade’ a este mundo de cenários e espelhos deformantes, e atribuem a este ídolo, ou a este bode expiatório, todas as responsabilidades, se sentem necessidade disso; e, se esta ‘realidade’ entra em colapso, apressam-se em declarar que Deus fez mal o mundo, e o mundo é o que Deus é, ou seria, ‘se Ele existisse’, e assim por diante. Quando se fala de fé e de obediência — e estas duas atitudes se esclarecem perfeitamente, para além de toda sentimentalidade, à luz da relação Substância-acidente —, os homens protestam que eles não são crianças irresponsáveis e sabem reconhecer o que é verdadeiro e o que não é; mas, quando se fala de sanções divinas, eles se apressam a dizer que não poderiam merecer nenhuma punição, porque foi Deus quem os fez o que eles são. Ora, é preciso escolher nossos argumentos: ou somos irresponsáveis e portanto fundamentalmente inocentes, mas então tiremos as consequências e sejamos crianças; ou somos soberanamente responsáveis e livres, mas então não pretendamos escapar de jure de todo ‘choque de retorno’ cuja causa deriva, precisamente, de nossa responsabilidade.”

Frithjof Schuon, Logique et Transcendance, Éditions Traditionnelles, Paris, 1982, pp. 93-94, tradução de MSA.

[Fotos: Indio Hupa com arpão para pesca, por Edward Curtis; Traffic Jam at Rama 4 Road, por Sry85 colhida na Wikimedia Commons neste link.]

Il carattere di una persona fa parte della sua intelligenza

Nella spiritualità più che in ogni altro ambito preme capire che il carattere di una persona fa parte della sua intelligenza: senza un buon carattere – un carattere normale e pertanto nobile – l’intelligenza anche metafisica è in parte inoperante, poiché la conoscenza completa di quello che è fuori de noi ne esige una uguale de noi medesimi. Il carattere di una persona è, per un verso, ciò che essa vuole e, per l’altro, quanto ama; la volontà e il sentimento prolungano l’intelligenza, sono, come essa — che con ogni evidenza li penetra — delle facoltà d’adeguamento. Conoscere realmente il Sommo Bene è, ipso facto, da un lato volere quello che ci avvicina a lui e dall’altro amare ciò che testimonia di lui; ogni virtù deriva alla fine da tale volontà e da questo amore. L’intelligenza che non si accompagna alle virtù dà origine a una conoscenza potremmo dire planimetrica: è quasi che si cogliesse unicamente il cerchio o il quadrato, ma non la sfera né il cubo.

Cogliere la sfera o il cubo – parlando in un’ottica simbolica – significa avere il senso dell’immanenza e non soltanto della trascendenza; e la condizione di quella pienezza è la conoscenza di sé, ossia l’applicazione del discernimento al proprio ego, in maniera concreta e operativa, giacché la conoscenza impegna la volontà e il sentimento. Il sentimento non è di per sé del dentimentalismo; è un abuso solo quando falsa una verità; in se stesso è la facoltà di amare quel che è oggettivamente amabile: il vero, il santo, il bello, il nobile; “la bellezza è lo splendore del vero”. La conoscenza totale, abbiamo detto, esige la conoscenza di sé: vuol dire discernere l’ambiguità, la piccolezza e la fragilità dell’ego. È anche, e in sostanza, “amare il prossimo como se stesso”, cioè vedere nell'”altro” un “me” e in “me” un “altro”.

Frithjof Schuon, Il Senso dell’Assoluto – Avere un Centro, Edizioni Mediterranee, Roma, 2018, pp. 57 e 58.

Todo amor é uma busca do Paraíso perdido

Radha Krishna

Fundamentalmente, todo amor é uma busca da Essência ou do Paraíso perdido; a melancolia doce ou poderosa que intervém frequentemente no erotismo poético ou musical é uma expressão dessa nostalgia de um Paraíso longínquo, e sem dúvida também da evanescência dos sonhos terrestres, cuja doçura, precisamente, é a de um Paraíso que não mais perecebemos, ou que ainda não percebemos. Os violinos ciganos evocam não somente os altos e baixos de um amor demasiadamente humano, eles cantam também, em suas melodias mais profundas e mais pungentes, a sede desse vinho celeste que é a essência da Beleza; toda música do amor reencontra, na medida de sua autenticidade e de sua nobreza, os sons ao mesmo tempo encantadores e liberadores da flauta de Krishna.

Frithjof Schuon, L’Esoterisme Comme Principe et Comme Voie, Dery-Livres, Paris, 1978, p. 134.

[Imagem: Companheira persuadindo Radha enquanto Krishna toca sua flauta. Lambagraon Gita Govinda, circa 1825.]

Na santidade, uma alma se torna plenamente si mesma

“Se a vida espiritual envolve a superação de nosso ego, o estado sem-ego ou de ausência de ego não leva a uma espécie de prodígio trans-individual: ao alcançar a realização espiritual, uma alma não se torna simplesmente invisível ou anônima, ou uma cópia exata de outro ser sem ego: ela se torna plenamente ela mesma de um modo que permite que seja imortalmente reconhecida no Céu e na Terra. (*) Continuar lendo

Frithjof Schuon e René Guénon

René Guénon e Frithjof Schuon

Offriamo qui un saggio di Martin Lings su Schuon e Guénon tradotto in italiano.

“Il nome di Schuon precede, nel titolo dell’articolo, quello di Guénon vi­sto che si tratterà principalmente del primo; infatti abbiamo già dedicato un saggio soltanto a Guénon. Ma in teoria il loro messaggio non è che una sola e medesima cosa. Il tema essenziale delle loro opere è l’esoterismo, ossia l’aspetto interno della religione che Cristo ha riassunto dicendo ‘il Regno di Dio è dentro di voi’, o ‘cercate e troverete; bussate e vi sarà aperto’.”

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Ensaio de Schuon: “Da Cruz”

Publicamos hoje ensaio inédito em português, traduzido por Beatriz Becker. Eis um trecho dele:

O centro da cruz, ali onde as duas dimensões se cruzam, é o mistério do abandono: é o “momento espiritual” onde a alma se perde a si mesma, onde ela “não mais é” e onde ela “ainda não é”. Como toda a Paixão do Cristo, esse grito é, não apenas um mistério de dor ao qual o homem deve participar pela renúncia, mas também, ao contrário, uma “abertura” que só Deus podia operar, e que ele operou porque ele era Deus; e é por isso que “meu jugo é suave e meu fardo, leve”. A vitória que incumbe ao homem já foi levada por Jesus; ao homem não resta mais que abrir-se a essa vitória, que será a sua.

Para ir ao ensaio, clique aqui.

La Majestat de Batlló – foto por Roger Ferrer Ibáñez from Vilassar de Mar, Spain / CC BY-SA (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)

Toda sanção divina é a inversão de uma inversão

O que dissemos das sanções divinas e de sua raiz na natureza humana ou no estado de desequilíbrio desta aplica-se também, do ponto de vista das causas profundas, às calamidades deste mundo e à morte: tanto esta como aquelas se explicam pela necessidade de um choque de retorno depois de uma ruptura de equilíbrio. (…)

Toda sanção divina é a inversão de uma inversão. (…)

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"Dedica tua mente a Brahman… a morte não te destruirá."

Srî Ramana Maharshi (1879-1950)

O santo Vasishta disse:

“Uma vez pedi ao santo sábio Bhushunda que nos dissesse como foi capaz de escapar das mãos da Morte, quando todos os outros seres no mundo estão fadados a serem esmagados por suas mandíbulas que tudo devoram.

Bhushunda disse:

‘Senhor, tu que sabes todas as coisas vem então perguntar a mim o que sabes tão bem? Tal ordem do Mestre encoraja seu servo a falar quando este, caso contrário, teria refreado sua língua.

‘A morte não destruirá aquele que não adorna seu corpo com as joias de seus viciosos desejos, como um bandido não mata um viajante que não tem uma preciosa corrente de ouro em volta de seu pescoço.

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Platonici e Cristiani

Per i Platonici — nel senso più ampio — il ritorno a Dio è dato dal fatto dell’esistenza: il nostro essere stesso offre la via del ritorno, poichè questo essere è di natura divina, altrimenti non sarebbe niente; bisogna pertanto ritornare, attraverso gli strati della nostra realtà ontologica, fino alla Sostanza pura, che è una; così diventiamo perfettamente “noi stessi”.

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L’uomo è come sospeso tra il Cielo e la terra

L’uomo è come sospeso tra il Cielo e la terra, o tra il Principio e la manifetazione universale, cosa che lo destina a vivere in due dimensioni: da un canto ha in modo esistenziale il diritto di fare l’esperienza dei doni della natura, diversamente la condizione umana terrestre non avrebbe contenuto positivo; ma dall’altro ha il dovere spirituale di rinunciare all’eccesso, se no perderebbe la sua relazione con la dimensione celeste e pertanto la sua salvezza. Ciò significa che l’uomo può, e deve, essere a un tempo “orizzontale” e “verticale”, l’antinomia che ne consegue è lo scotto dello stato umano, porta dell’immortalità beata.

Quindi, al contrario de un idealismo soltanto ascetico per il quale il solo principio sacrificale è spiritualmente efficace, la dimensione celeste è pure nella nobiltà e profondità della nostra maniera di percepire e assimilare i fenomeni positivi; questa prospettiva trova la sua giustificazione nella trasparenza metafisica dei simboli e nel mistero d’immanenza, e altrettanto nella deiformità innata dello spirito umano. Ma, essendo, sulla terra, non possiamo uscire dalle limitazioni della condizione terrestre: se è vero che il mondo manifesta il Cielo, in pari tempo se ne allontana; non possiamo sfuggire a tale ambiguità della creazione.


Frithjof Schuon, La Trasfigurazione dell’Uomo, Edizioni Mediterranee, Roma, 2016, p. 87.