“O sentimento do adversário é o critério do verdadeiro e do falso”

Um extrato de Frithjof Schuon escrito em 1968, quando os efeitos devastadores do Concílio Vaticano II ainda não estavam tão claros. Mas Schuon sabia bem de que se tratava:

“O sucesso do materialismo ateu explica-se em parte pelo fato de ser uma posição extremada, e de um extremismo fácil, dado o mundo escorregadio que é sua moldura e dados os elementos psicológicos aos quais recorre; o Cristianismo também é uma posição extrema, mas, em vez de valorizá-la, dissimula-se esta posição — ao menos é esta tendência que parece prevalecer — e faz-se com que se adapte ao adversário, enquanto é precisamente o extremismo da mensagem cristã que, se se afirma sem disfarce — mas também sem “dinamismo” de encomenda —, tem o dom de fascinar e convencer. Ao capitular consciente ou inconscientemente diante dos argumentos do adversário, busca-se evidentemente lhe dar a impressão de que o absoluto cristão realiza o mesmo gênero de perfeição do absoluto progressista e socialista, e renegam-se aqueles aspectos — não obstante essenciais — do absoluto cristão que se chocam com as tendência adversas, de maneira que não há nada mais a lhe opor senão um semi-absoluto sem originalidade; pois as duas atitudes são falsas: dizer que o que sempre se teve em vista não é senão o progresso social, o que não passa de uma mentira ridícula e sem relação com a perspectiva cristão, e acusar-se — prometendo ao mesmo tempo fazer melhor no futuro — de ter negligenciado este progresso, o que é uma traição pura e simples; o que se deveria fazer é colocar cada coisa em seu lugar e lembrar a cada passo o que são, do ponto de vista religioso, o homem, a vida, o mundo, a sociedade. O Cristianismo é uma perspectiva escatológico, ele encara as coisas em função do mundo vindouro ou não as considera em absoluto; fingir que se adota outra maneira de ver as coisas — ou adotá-la realmente — e permanecer ao mesmo tempo na religião é um contra-senso ininteligível e ruinoso (…)

“Que a religião possa e deva, dependendo das ocasiões, adaptar-se a novas circunstâncias, é evidente e inevitável; mas é preciso atentar para não dar a priori razão às circunstâncias e nelas ver normas simplesmente porque existem e  agradam à maioria. Ao proceder a uma adaptação, é importante ater-se estritamente à perspectiva religiosa e à hierarquia de valores que ela implica; é preciso inspirar-se numa criteriologia metafísica e espiritual e não ceder a pressões, ou  mesmo deixar-se contaminar por uma falsa avaliação das coisas. Não se fala de ‘uma religião voltada para o social’, o que é um pleonasmo ou um absurdo, e até mesmo de uma ‘espiritualidade do desenvolvimento econômico’, o que, à parte a monstruosidade, é uma contradição de termos? Segundo estas tendências, o erro ou o pecado já não devem submeter-se aos imperativos da verdade e da espiritualidade, é, ao contrário, a verdade, a espiritualidade que deve se adaptar ao erro e ao pecado; e é o sentimento do adversário que é o critério do verdadeiro e do falso, do bem e do mal.”

Extraído de O Homem no Universo, Editora Perspectiva, São Paulo 2001, pp. 178-180.

Emoção e objetividade

 

Por um lado, admiramos corretamente uma coisa porque a compreendemos; por outro lado, compreendemos uma coisa admirável ao admirá-la, isto é, nossa admiração amplia e aprofunda nossa compreensão primeira. A emoção ou o sentimento, neste caso, é um modo de assimilação; é, portanto, um modo subordinado de conhecimento, o qual intervém logicamente a posteriori, mas que, de fato, pode coincidir com a percepção física ou intelectual. Também a nobreza de caráter, ou a virtude, é antes de tudo uma predisposição à adequação quase existencial, paralelamente ao conhecimento propriamente dito; o que significa que ela é uma maneira de ser objetivo, de estar em conformidade com a realidade, o que, conforme o caso, exige certa abnegação; ser perfeitamente objetivo é um pouco morrer, já escrevemos em algum lugar.

Em nossos dias, louva-se a “objetividade” de um homem que afirma calmamente e friamente que dois mais dois são cinco, e acusa-se de subjetividade ou de emotividade o homem que replica com indignação que dois mais dois são quatro; não se quer admitir que a objetividade é a adequação ao objeto, não tal ou qual modo de expressão; que o critério da objetividade é a realidade, não o tom, nem a mímica; nem, sobretudo, uma placidez fictícia, inumana e insolente. Esquece-se, sobretudo, também, que a emoção tem seus direitos no arsenal da dialética humana, e que estes – dado que são direitos – não poderiam ser contrários à objetividade; mesmo o pensamento mais estritamente objetivo – intelectual ou racional – acompanha-se de um fator psíquico, portanto subjetivo, a saber, o sentimento de certeza; sem o que o homem não seria o homem. Ora, o homem é “feito à imagem de Deus”, esta é toda a sua razão de ser; censurar um traço natural e fundamental do homem equivaleria a censurar não somente a intenção criadora, mas a natureza mesma do Criador.

O “objetivismo” antiemocional e ficticiamente impassível trai a sua falsidade pela contradição seguinte: aqueles que se fazem porta-vozes de uma racionalidade imperturbável e impertinente são ao mesmo tempo aqueles que preconizam o amor livre – eles não têm nenhum gosto pelo ascetismo – ou que se inflamam a partir do momento em que se fala de política, e outras inconsequências desse gênero; o que prova que sua “objetividade” não é senão erro e ostentação, que ela é aparentada ao orgulho e à amargura; de onde a propensão a pintar de branco os homens vis – salvo quando, por acaso, são adversários políticos – e a pintar de negro os homens de bem, calmamente e sem paixão, ao menos sem paixão visível; é um exemplo daquela moral de mão única tão característica de todos os gêneros de hipocrisia. Seja como for, é preciso reagir contra a opinião psicanalítica – muito disseminada – de que tanto a indignação quanto o entusiasmo revelam sempre um preconceito ou uma parcialidade; opinião simplista que é vizinha de outro erro não menos tolo, a saber, que numa discórdia ninguém jamais tem razão por completo, e que aquele que se inflama está sempre errado.

(Extraído de “Ambiguidade do Elemento Emocional”, de Frithjof Schuon, capítulo do livro Résumé de Métaphysique Intégrale (Resumo de Metafísica Integral, inédito em português), Courrier du Livre, 2000.

A oração e as obras

“A fé não exige que o homem ganhe sua salvação por tais ou quais obras; ela exige a oração e, como uma espécie de prolongamento desta, o cumprimento do dever, tanto na ação como na abstenção. Esse cumprimento, quer seja habitual, quer se imponha por circunstâncias particulares, encontra-se santificado pela obra por excelência, a primeira de todas, a oração; e ele participa assim, mais ou menos indiretamente, conforme sua natureza, da alquimia libertadora de que a oração é o principal suporte.”

Frithjof Schuon, Resumo de Metafísica Integral, tradução portuguesa inédita.

A imagem budista

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O grande Buda de Kamakura, estátua de bronze que é uma das mais célebres imagens do Japão.

“Nosso primeiro encontro, intenso e inesquecível, com o Budismo e o Extremo-Oriente ocorreu em nossa infância, diante de um grande Buda japonês em madeira dourada , flanqueado por duas Kwannon ; subitamente confrontado com esta visão de majestade e de mistério, teríamos podido dizer, parafraseando paradoxalmente César: Veni, vidi, victus sum. (*) Mencionamos esta lembrança porque ela põe à luz essa concretização profundamente impactante de uma vitória infinita do Espírito – ou esta extraordinária condensação da Mensagem na imagem do Mensageiro – que a estátua sacramental do Buda representa, e que representam da mesma forma e por reverberação as imagens dos Bodhisattva e de outras personificações espirituais, como essas Kwannon que parecem saídas de uma rio celeste de luz dourada, de silêncio e de misericórdia.”

* * *

(*) “Vim, vi e fui vencido”, paráfrase da famosa frase “vim, vi e venci” (nota do tradutor).

Frithjof Schuon, Tesouros do Budismo, capítulo de mesmo nome, tradução inédita.

[Foto de Eckhard Pecher – Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5682979%5D

A importância das virtudes

“O homem é feito de pensamento, de vontade e de amor: ele pode pensar o verdadeiro ou o falso, ele pode querer o bem ou o mal, e ele pode amar o belo ou o feio. Ora, o pensamento do verdadeiro – ou o conhecimento do real – exige, por um lado, a vontade do bem e, por outro, o amor ao belo, portanto à virtude, pois esta não é senão a beleza da alma; assim, os Gregos, que eram tanto pensadores quanto estetas, englobavam a virtude na filosofia. Sem a beleza da alma, todo querer é estéril e mesquinho e se fecha à graça; e, de uma maneira análoga: sem o esforço da vontade, todo pensamento espiritual permanece no fim das contas superficial e ineficaz, e leva à pretensão. A virtude coincide com uma sensibilidade proporcional – ou conforme – à Verdade, e é por isso que a alma do sábio plana acima das coisas, e por isso mesmo acima de si mesma, se assim podemos dizer; de onde o desinteressamento, a nobreza e a generosidade das grandes almas. Evidentemente, a consciência dos princípios metafísicos não poderia quadrar com a pequenez moral, com o a ambição e a hipocrisia: ‘Sede perfeitos como vosso Pai no Céu é perfeito.’ “

Frithjof Schuon, Nos Caminhos da Religião Perene, neste website, 2015.

O mais interior corresponde ao mais exterior

“O homem (….) foi posto no mundo para que haja alguém que possa retornar a Deus. É o que sugere, entre outros sinais, esta teofania ‘sobrenaturalmente natural’ que é o corpo humano: o homem sendo imago Dei, seu corpo simboliza necessariamente o retorno libertador à origem divina, e neste sentido ele é ‘lembrança de Deus’. É verdade que também o animal nobre – como o cervo, o leão, a águia, o cisne – exprime tal ou qual aspecto da majestade divina, mas ele não manifesta o retorno libertador da forma à essência; ele permanece na forma, de onde sua ‘horizontalidade’. O corpo humano, ao contrário, é “vertical”, ele é um sacramento, quer ele seja masculino ou feminino; a diferença dos sexos marca uma complementaridade de modo e não, evidentemente, uma divergência de princípio. A nudez sagrada – na India, por exemplo – exprime a exteriorização do que é o mais interior e, correlativamente, a interiorização do que é o mais exterior; “ é por isto que, nua, eu danço”, como dizia Lallâ Yogîshwarî após ter realizado o Si imanente. Os extremos se tocam; a forma natural pode veicular a essência sobrenatural, esta pode se manifestar por aquela.”

Frithjof Schuon, Le Jeu des Masques, L’Age d’Homme, Lausanne, 1992, p. 35.

Saber da morte, ecologia total

“Um traço essencial que distingue o homem do animal é que o homem sabe que ele deve morrer, enquanto o animal não o sabe. Ora, esse saber da morte é uma prova de imortalidade; é somente por ser o homem imortal que suas faculdades lhe permitem constatar sua impermanência terrestre. Quem diz consciência da morte, diz fenômeno religioso; e explicitemos que esse fenômeno faz parte da ecologia no sentido total do termo, pois sem religião – ou sem religião autêntica – uma coletividade humana não poderia sobreviver muito tempo; ou seja, ela não poderia continuar sendo humana.”

Frithjof Schuon, Le Jeu des Masques, L’Âge d’Homme, 1992, cap. “Prérogatives de l’État Humain”.

“A injustiça é uma provação, mas a provação não é uma injustiça”

(Notei agora que já tinha publicado esta carta, em julho de 2015. Mas, agora que o fiz, acho válido mantê-la aqui, repetida, dada a sua importância. Ela foi incorporada a um belo  ensaio publicados no livro O Esoterismo como Princípio e como Via, que, infelizmente, tem uma tradução brasileira não muito boa, como também já indiquei neste espaço.)

“A injustiça é uma provação, mas a provação não é uma injustiça. As injustiças vêm dos homens, enquanto que as provações vêm de Deus; aquilo que, da parte dos homens, é injustiça e, por consequência, mal, é provação e destino da parte de Deus. O homem tem o direito ou, eventualmente, o dever de combater um determinado mal, mas ele deve se resignar à provação e aceitar o destino; ou seja, é preciso combinar  as duas atitudes, dado que toda injustiça que sofremos da parte dos homens é ao mesmo tempo uma provação que nos chega da parte de Deus. Continuar lendo

‘Inteligência sem sabedoria’

“O sábio vê as causas nos efeitos e os efeitos nas causas; ele vê Deus em tudo e tudo em Deus. Uma ciência que penetra as profundezas do ‘infinitamente grande’ e do ‘infinitamente pequeno’ no plano físico, mas que nega os outros planos que, no entanto, revelam a razão suficiente da natureza sensível e dela fornecem a chave, é um mal maior que a ignorância pura e simples; é, em suma, uma ‘contraciência’, cujos efeitos últimos não têm como não ser mortais.

“Em outros termos, a ciência moderna é ao mesmo tempo um racionalismo totalitário que ignora a Revelação e o Intelecto e um materialismo totalitário que ignora a relatividade metafísica — e, portanto, a impermanência — da matéria e do mundo; ela ignora que o suprassensível — que está além do espaço e do tempo — é o princípio concreto do mundo, e também que ele está, por consequência, na origem dessa coagulação contingente e cambiante a que chamamos ‘matéria’ (1). A ciência dita ‘exata’ (2) é, na verdade, uma ‘inteligência sem sabedoria’, assim como, inversamente, a filosofia pós-escolástica é uma ‘sabedoria sem inteligência’.

Notas

(1) Interpretações recentes talvez ‘refinem’ a noção de matéria, mas de nenhum modo superam seu nível.

(2) Ela não é realmente ‘exata’, visto que nega coisas que não pode provar em seu terreno e com seus métodos, como se a impossibilidade de provas materiais ou matemáticas fosse prova de inexistência.

Frithjof Schuon, O Homem no Universo, Perspectiva, São Paulo, 2001, pp. 161 e 162. O original deste livro, Regards sur les Mondes Anciens, foi publicado em 1968.

A indiferença

“A indiferença ante a verdade e ante Deus é vizinha do orgulho e não existe sem a hipocrisia; sua aparente doçura é cheia de suficiência e de arrogância; nesse estado de alma, o indivíduo está contente com si mesmo, mesmo se se acusa de pequenas faltas e se mostra modesto, o que não o compromete em nada e, ao contrário, reforça sua ilusão de ser virtuoso. É o critério da indiferença que permite surpreender o ‘homem médio’ como ‘em flagrante delito’, pegar o vício mais dissimulado e mais insidioso por assim dizer pela garganta e provar a cada um sua pobreza e sua miséria; é essa indiferença que é em suma o ‘pecado original’, ou que o manifesta mais geralmente.”

Frithjof Schuon, O Homem no Universo, Perspectiva, São Paulo, 2001, p.70.

Os abusos estão na natureza humana

“Quando se confronta o mundo moderno com as civilizações tradicionais, não se trata simplesmente de buscar em cada lado os bens e os males; como há bem e mal em tudo, trata-se essencialmente de saber de qual lado acha-se o mal menor. Se alguém nos diz que há, fora da tradição, tal ou qual bem, responderemos: sem dúvida, mas é preciso escolher o bem mais importante, e é necessariamente a tradição que o representa; e, se nos dizem que há na tradição tal ou qual mal, responderemos: sem dúvida, mas é preciso escolher o menor mal, e é ainda a tradição que o comporta. É ilógico preferir um mal que comporta alguns bens a um bem que comporta alguns males. Continuar lendo

Só no plano espiritual se encontra a justiça perfeita

“Convém denunciar aqui outro preconceito do espírito moderno e evolucionista, a saber, a exigência de um máximo de ‘liberdade’ para o animal humano, ou, em outros termos, o ideal de uma ausência quase total de coerções para o homem considerado independentemente de seu conteúdo ou de sua qualidade e independentemente, também, de seu fim metafísico; ora, é só a liberdade proporcional a nossa natureza que abre as portas para a Liberdade eterna que trazemos no fundo de nós mesmos, e não a liberdade que larga a fraqueza do homem — sobretudo do homem coletivo — às forças da dissolução e ao suicídio espiritual. Continuar lendo

Um parágrafo sobre os limites da ciência

“A lógica pura e simples é só muito indiretamente uma maneira de conhecer; ela é antes de tudo a arte de combinar dados verdadeiros ou falsos, segundo uma certa necessidade de causalidade e nos limites de uma certa imaginação, de modo que um raciocínio aparentemente impecável pode ser errôneo em função da falsidade de suas premissas; estas dependem, normalmente, não da razão ou da experiência, mas da inteligência pura, e isto na própria medida em que a coisa a conhecer é de uma ordem elevada. Não é a exatidão da ciência que censuramos, longe disso, mas o nível exclusivo dessa exatidão, o qual a torna inadequada e inoperante; o homem pode medir uma distância com seus passos, mas ele não poderia ver com seus pés, se podemos nos exprimir assim. A metafísica e o simbolismo, os únicos a fornecer as chaves decisivas para o conhecimento das realidades suprassensíveis, são na realidade ciência altamente exatas — de uma exatidão que supera em muito a dos fatos físicos —, mas essas ciências escapam à ratio por si mesma e aos métodos que ela inspira de uma forma quase exclusiva.”

Frithjof Schuon, Images de l’Esprit – Shintô, Bouddhisme, Yoga, Le Courrier du Livre, Paris, 1982.

…eles se colocam no lugar daquilo que negam…

“Se o descrente se revolta com a ideia de que todos os seus atos serão pesados, de que será julgado e eventualmente condenado por um Deus que lhe escapa, de que deverá expiar suas faltas e mesmo simplesmente seu pecado de indiferença, é porque ele não tem o sentido do equilíbrio imanente, nem o da majestade da Existência, e do estado humano em particular. Existir não é pouca coisa; a prova é que ninguém poderia tirar do nada um só grão de poeira; e, da mesma forma, a consciência não é pouca coisa: não poderíamos dar nem uma parcela dela a um objeto inanimado. O hiato entre o nada e o menor objeto é absoluto, e é esta, no fundo, a absolutez de Deus. (1) Continuar lendo

Sobre a definição do Ser

“A intuição intelectual implica, entre outras, a compreensão do Ser, em si e em conexão com as coisas; ela permite, por consequência, compreender, por um lado, que o Ser não tem de ser definido em todos os casos e em virtude de uma necessidade artificial de causalidade e, por outro lado, que ele não é de forma nenhuma difícil de definir, precisamente porque o senso do Ser é inerente ao intelecto: quem diz ‘intelecto’, diz ‘senso do Ser’. Continuar lendo